O jogo que começou com todo o Pacaembu gritando o nome do ídolo que se foi, terminou com mais de 30 mil vozes alvinegras celebrando ao som de "É, campeão!". Mas para chegar ao grito da vitória, o torcedor precisou superar as investidas palmeirenses e até uma quase ameaça do Vasco, que no fim só empatou com o Flamengo no Rio.
Já que praticamente todo o cenário estava a seu favor, o Corinthians preferiu deixar o tempo correr - o empate, afinal, sempre lhe serviu. Com Wallace improvisado como volante, a marcação no meio-campo corintiano funcionou nos primeiros minutos da etapa inicial, forçando o Palmeiras a utilizar bolas mais longas para chegar perto do gol de Julio Cesar.
Quase 40% dos 70 pontos conquistados pelo time alvinegro na competição vieram na incrível sequência de nove vitórias e um empate nas dez primeiras rodadas.
O início arrasador e o consequente triunfo no final do Brasileirão, curiosamente só foi possível graças a um dos maiores fracassos da história do clube: a eliminação na fase preliminar da Copa Libertadores, pelo Deportes Tolima, da Colômbia. Sem jogar nem a Libertadores nem a Copa do Brasil no primeiro semestre, o Corinthians ganhou mais tempo para treinar do que a maioria dos seus concorrentes diretos ao título. Dos times que disputam o Brasileirão, só América-MG, Atlético Mineiro, Cruzeiro e Figueirense entraram em campo nesta temporada menos vezes do que o campeão brasileiro.
As homenagens e o minuto de silêncio a Sócrates, eterno ídolo corintiano, embalaram os 11 guerreiros que subiram ao gramado do Pacaembu sem atraso, cientes de que a glória dependia só de si. Se o momento político do clube já não se assemelha em nada à Democracia do início dos anos 1980, em campo - o futebol regular mostrado durante a competição - o Doutor diria que está à altura da história que ele ajudou a construir.
Os olhos estavam vidrados no gramado do Pacaembu, mas os ouvidos grudados no rádio de pilha traziam boas e más notícias do Engenhão. O Palmeiras dominou o primeiro tempo e a tensão tomou conta. Nada que pudesse atrapalhar a festa. Um empate era o bastante, e o Timão jogou pelo empate.
O empate que garantiu o emprego de Tite, quase demitido diversas vezes e agora na seleta lista de técnicos campeões. O empate que garantiu o título - pela primeira vez em 101 anos de história, o Corinthians tem mais títulos brasileiros que o arquirrival (nos nacionais, Verdão leva vantagem com oito).
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